quinta-feira, 7 de agosto de 2014

O Eneagrama - Início (I)

Não sei dizer há quanto tempo tive contato com o Eneagrama, mas nos últimos 10 anos intensifiquei e aprofundei meus estudos nesse tema, o qual, a meu ver, deveria ser mais divulgado para que mais pessoas pudessem usufruir desse conhecimento.

Na época em que comecei a estudar o Eneagrama senti-me atraído porque ele permitiu-me desenvolver uma certa facilidade e rapidez em conhecer as pessoas. Em outras palavras, o Eneagrama me tornou mais perspicaz em perceber as principais características de personalidade e a compreender o padrão das atitudes das pessoas. Obviamente, isso ajudou muito em meus relacionamentos, fato que perdura até hoje.

No entanto, admito, a princípio foi muito difícil, pois o estudo do Eneagrama inicia-se por uma profunda jornada de autoconhecimento. Isso significa que um iniciante precisa uma constante auto-observação, através da qual ele consiga perceber o que está detrás de suas intenções, e não raro, a intenção que está por detrás da intenção.

Sei que parece um pouco complicado, e na verdade é mesmo, exceto se houver um método para se perceber isso, e o Eneagrama é a chave mestra para essa jornada.

Uma breve definição e histórico

O Eneagrama é um sistema que nos permite detectar o tipo de personalidade das pessoas através de uma figura geométrica de nove pontas que representa os nove tipos de personalidades básicas da natureza humana e suas complexas inter-relações. 




Baseado na sabedoria espiritual de muitas e diferentes tradições antigas, o Eneagrama foi levado ao público em Moscou, no ano de 1915, por George Gurdjieff, filósofo e professor que usou o Eneagrama em seu programa de desenvolvimento humano. Somente na década de 1960, Oscar Ichazo, fundador da Escola Arica, estabeleceu os nove tipos de personalidade no Eneagrama. Pouco tempo depois, Claudio Naranjo, MD, e outros psicólogos em Berkeley combinaram o Eneagrama com os últimos desenvolvimentos da psicologia moderna.

Hoje o Eneagrama é uma ferramenta poderosa que se tornou largamente usada por terapeutas, coaches, executivos de empresas, empresários, pais e professores em muitos países ao redor do mundo

Aplicações principais

Na versão moderna do Eneagrama existem muitas aplicações, mas em termos práticos eu diria que o Eneagrama tem como aplicações principais:
  1. O crescimento pessoal e espiritual 
  2. O desenvolvimento de nossa capacidade de alcançar relacionamentos bem sucedidos em casa e no trabalho 
  3. A capacidade de desenvolver a liderança, a montagem de equipes e a habilidade de comunicação, tudo isso no âmbito do trabalho. 

Como já mencionei, o estudo do Eneagrama começa por uma jornada de autoconhecimento. Afinal, sem sabermos um pouco mais sobre quem somos é muito mais difícil conhecer os outros. Mas é nessa jornada de autoconhecimento que conseguimos perceber nossos padrões de pensamento, sentimentos e comportamento, aumentando nossa auto-consciência e tendo como consequência a facilidade de detectarmos nossos pontos fortes e nossos pontos cegos. Quando tomamos posse dessas informações, resultado de muita auto-observação, conseguimos explorar mais nossos potenciais, assim como corrigirmos nossos erros, obtendo como resultado um aumento de nossa eficácia pessoal e profissional.

Principalmente no âmbito de nossos relacionamentos, o Eneagrama é um método poderoso que aumenta a nossa inteligência emocional - e não há melhor sistema no mundo de hoje para aprender a criar relacionamentos mais bem sucedidos. Isto se dá porque quando reconhecemos os diferentes pontos de vista e as necessidades básicas de cada tipo de personalidade, podemos de imediato melhorar a nossa comunicação no relacionamento com os outros. Esse aumento de empatia com as outras pessoas em nossas vidas nos torna capazes de responder às necessidades que toda relação exige para que se mantenha num patamar saudável.

Embora o assunto seja inesgotável, a ideia deste post é apenas chamar a atenção do Eneagrama para quem nunca ouviu falar dele. Mas é o primeiro de uma pequena série introdutória, a qual espero que seja do interesse de todos.


by Dalton Cortucci


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domingo, 6 de abril de 2014

Medo de falar em público: insegurança ou sociabilidade?

Exceto os profissionais que por força do hábito possuem experiência, a maioria das pessoas têm algum tipo de receio de falar em público.

Nessas situações alguns conseguem reagir com uma certa tranquilidade, mesmo não estando à vontade. Outros reagem com maior apreensão, embora consigam força suficiente para não recuar. Contudo, não é raro encontrarmos pessoas para as quais a tarefa de falar em público não só se constitui numa eventualidade desconfortável, mas numa verdadeira tragédia anunciada.


Aterrorizados por enfrentar o público, por menor que seja a audiência e por mais simples que seja o assunto, essa exposição provoca em determinadas pessoas um medo paralisante, comumente antecedido por períodos de angústia e ansiedade. Conheci gente que mesmo em situações amenas preferiu fugir do compromisso do que passar por tal experiência.

No mundo corporativo é muito comum que líderes e gestores sejam cada vez mais exigidos a realizarem apresentações públicas. Para não arriscarem suas carreiras ou até seus próprios empregos, aqueles que têm essa dificuldade acabam por decidir ir em busca de ajuda. Essa ajuda pode vir através de uma terapia ou, mais comumente usada no meio corporativo, através de um coach. Aliás, para vencer a paura de falar em público os processos de Coaching são muito eficazes.

O fato é que pessoas que têm medo de falar em público são taxadas de inseguras. Embora toda generalização seja perigosa, percebo que hoje há um outro fator que dispara essa "insegurança", um fator que resulta dos novos tempos: a "falta de vivência social".

O que quero dizer com isso é que hoje o indivíduo mesmo conectado em grandes redes e com centenas de pessoas dispostas num formato de comunidade, tal posição não exercita plenamente a sua sociabilidade. É inegável a economia de tempo e o encurtamento das distâncias que a tecnologia propicia, tornando qualquer pessoa acessível a um custo de comunicação que tende a zero. No entanto, esse cenário pode comprometer muito a capacidade de comunicação de uma pessoa. Em outras palavras, a falta de exercício do "diálogo livre", isto é, aquela conversa que flui sem qualquer tipo de preparação e que utiliza como informação as manifestações do comportamento das pessoas, tais como a expressão corporal e o tom de voz, podem reduzir significativamente o que chamo de "vivência social".



Se hoje estamos massivamente conectados, mas perdendo o hábito e o exercício presencial, a consequência imediata é a queda da empatia, ou seja, por detrás de um computador a dificuldade de percebermos os sentimentos dos outros aumenta muito. Com a empatia em baixa, a habilidade em desempenhar um "diálogo livre", seja ele individual ou em grupo, passa a ser uma experiência plastificada, isto é, quase sem nenhuma exposição.

De fato isso acontece porque dentro de um cenário virtual aquilo que identifica as pessoas se resume ao que é midiático. Delas resulta uma imagem pensada e construída. Por consequência, falar para uma platéia é o mesmo que defender essa imagem construída. Pior ainda, é como submetê-la a julgamento e à comprovação pública.


Mas, como tudo na vida, a saída está no equilíbrio. Sabemos que o convívio social é tão importante quanto não perder tempo para enviar uma comunicação urgente usando um celular. Porém, ter esse discernimento é a condição necessária para desenvolvermos a consciência de quem somos e o que sentimos minimamente.


Como seres sociais precisamos do convívio constante, pois a armadilha do isolamento social se apresenta toda vez que ligamos um computador ou um celular. O problema é que só vamos perceber essa armadilha quando experimentarmos uma situação tal qual falar em público ou, talvez, até numa simples situação de nos encontrarmos com uma única pessoa, só que "ao vivo".


domingo, 23 de março de 2014

Vínculos se criam e se rompem. Nada mais do que a dinâmica da vida.

Quantas pessoas fazem parte da nossa vida atual as quais temos a certeza de que permanecerão em nosso convívio?
Não estou falando de morte, estou falando de vida mesmo.
Talvez dê pra contar nos dedos.

Mas por que será que é tão pouca se conhecemos tanta gente?

Todos sabemos que as pessoas vêm e vão, isso é muito comum. Mas são as oportunidades e os interesses que as trazem e que as acabam levando.

Sim, oportunidades e interesses.

Parece frio dizer isso, mas é a verdade.

Ninguém convive conosco sem interesse, seja ele qual for.
E quando surgir uma oportunidade para ter uma vida potencialmente melhor, todo esse interesse pode mudar.
Isso vale também para aquelas pessoas que você contou nos dedos, mesmo que dentre elas estejam amigos do peito, parentes, parceiros e, inclusive, filhos.

O mundo não é cruel por conta disso, nós é que somos cruéis com nós mesmos quando acreditamos em situações permanentes. Aliás, a única situação permanente que se pode manter é aquela na qual nós nos submetemos. A vida é dinâmica e tudo muda, exceto se eu não quiser mudar nada.

Portanto, se você tiver a certeza de que algumas pessoas vão permanecer em seu convívio permanentemente, é bom rever isso, porque vínculos entre pessoas podem ser mais sutis do que imaginamos e podem ser quebrados com uma facilidade surpreendente.

De qualquer forma, todo mundo já ouviu dizer que o importante é não esperar nada de ninguém. Não porque as pessoas não nos façam bem, muito pelo contrário, pois muitos convívios são marcantes e nos deixam lembranças boas, mas porque nem mesmo você pode garantir que vai continuar convivendo com alguém. 

Nem mesmo você pode garantir que seus interesses permanecerão imutáveis. 

Nem mesmo você pode garantir que será capaz de resistir a todas as oportunidades que surgirem para ter uma vida melhor, mesmo que para isso custe separar-se das pessoas com as quais convive.

Vínculos se criam e vínculos se rompem a todo momento, e "dessa água não beberei" não passa de uma teoria até que a oportunidade apareça.

Mas e o amor? O amor nem sempre tem algo a ver com nossas decisões. Ele até pode garantir o vínculo de nossa própria existência, mas não o da convivência.

Por isso aproveite o que há hoje e sobretudo não feche as portas para eventuais mudanças, porque todo mundo tem o direito de escolher aquilo que for melhor. 

Pelo menos essa é uma dúvida que ninguém tem. 


by Dalton Cortucci


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domingo, 18 de agosto de 2013

Não quer ser mal interpretado? Marque um café!

Todos já ouviram falar que apenas 11% (ou algo em torno disso) da nossa comunicação estão nas palavras. O resto se distribui entre outros dois fatores: o tom de voz e a expressão corporal.


Contudo, como a comunicação não é algo unilateral, não basta apenas garantir a melhor expressão daquilo que queremos comunicar. Em outras palavras, é importante saber também de que forma o outro lado está recebendo a mensagem. Por consequência, a meu ver, embora raramente citado, existe um outro fator que é tão ou mais importante do que todos os outros: a empatia.

Resumidamente, a empatia é a capacidade intelectual de se colocar no lugar do outro, neste caso, de quem está ouvindo a nossa mensagem. Diferentemente do tom de voz e da expressão corporal, a empatia não pode ser medida, isto porque se trata de um recurso que monitora toda a comunicação de forma subjetiva e talvez seja por isso que ela é pouco citada.

O fato é que hoje nos comunicamos muito mais do que jamais o fizemos. Com tantos recursos tecnológicos à mão, não há como nos isolarmos do mundo, a menos que optemos por isso. Mas se por um lado nossa comunicação aumentou, nosso contato presencial diminuiu, afinal esses recursos nos permitem economizar tempo e dinheiro.


Voltando ao fato de que apenas 11% da nossa comunicação estão nas palavras, e considerando que hoje escrevemos muito mais do que verbalizamos, tudo indica que a qualidade da comunicação corre sérios riscos.

Senti isso recentemente, quando alguém me disse que escrevi um "livro" para explicar algo que poderia ser descrito numa simples frase. Quem me disse isso tinha razão, afinal era o meu interlocutor. No entanto, como eu estava apenas escrevendo, não pude dispor de nada além dos tais 11% dos recursos de comunicação para me ajudar. E como tentei ser o mais didático possível, acabei tornando a mensagem longa e cansativa (para ele).



Bem, essa é uma questão interessante nos dias de hoje, ou seja, se procurarmos ser objetivos numa comunicação escrita, ela pode ser encarada como sincera ou dura demais e até desprovida de qualquer sentimento. Mas se procurarmos ser mais didáticos, a mensagem pode ser encarada como cansativa se discorrermos além dos limites de quem a lê. De qualquer forma, é óbvio, isso dificilmente teria acontecido se o interlocutor pudesse ouvir o tom da minha voz, a expressão do meu rosto e eu a dele.

A conclusão que a gente chega é que mesmo com todos os benefícios que os recursos tecnológicos nos trazem, os quais são inegáveis, corremos sempre o risco de sermos mal interpretados quando a comunicação não é presencial. Aliás, se no "cara a cara" isso já acontece, o que dirá de outra forma.

Por isso, quando tivermos algo mais profundo, ou polêmico, ou sério, enfim, quando tivermos algo que não queremos arriscar uma má interpretação, é melhor não arriscar.

Nesses casos, se pudermos elevar o nosso nível de comunicação dos limitados 11% para um outro patamar, por exemplo, falando ao telefone, isso já será muito melhor. Se ainda assim estivermos dispostos a diminuir os riscos de uma má interpretação, o Skype pode adicionar o recurso visual, o que será de uma ajuda ainda maior. Mas se quisermos mesmo contar com tudo que existe disponível para uma comunicação assertiva e eficaz, é melhor marcar logo um café, porque uma boa conversa olhando nos olhos jamais será substituída. 

A propósito, para um café é preciso tempo, mas pra quem está motivado a se encontrar com o outro o tempo sempre aparece.

by Dalton Cortucci

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domingo, 4 de agosto de 2013

Cuido bem do meu Cérebro ?

A maioria das pessoas julga que o metabolismo cerebral entra em decadência com a velhice. Isso é um mito, pois hoje a Neurociência comprova que o processo se inicia lentamente por volta dos 30 anos, embora seja percebido de forma mais evidente com o avanço da idade. 

Uma coisa assim é difícil de acreditar, afinal aos 30 anos muitos de nós sentimos estar vivendo o ápice de nossa capacidade, sobretudo quando acabamos de alcançar alguns dos objetivos profissionais pelos quais tanto investimos com graduações e acúmulo de conhecimento.

Ouvir que iniciamos um declínio justamente nessa época soa como uma grande besteira. É como se alguém tentasse nos convencer de que estamos gripados sem perceber qualquer sintoma. 

Além disso, como acreditar em algo assim se nos sentimos tão bem, tão motivados e com tantas ideias borbulhando na cabeça?

É difícil mesmo imaginar que as funções cerebrais entram em declínio por volta dos 30 anos, mas isso não muda a realidade. Talvez a maioria nem saiba que, por exemplo, uma prevenção mais eficaz contra a doença de Alzheimer começa exatamente nessa época.


Para quem escolher por não voltar as costas à realidade, há muita informação na Internet sobre a saúde do cérebro e como prevenir doenças utilizando dietas alimentares específicas, evitando riscos de estresse emocional, fazendo exercícios aeróbicos e praticando meditação.

É justamente para este último que quero chamar a atenção: as descobertas da Neurociência sobre a saúde mental a partir de práticas de meditação e contemplação nos abrem portas fantásticas. Hoje elas atestam que o cérebro reage com significativa melhora em funções associadas a memória, a cognição e a criatividade, quando executamos um programa de exercícios específicos de natureza meditativa. O mesmo acontece também para outras partes do corpo, variando apenas o tipo de exercício. 

No entanto, há muita bobagem que as pessoas pensam sobre a meditação, principalmente aqueles que nada sabem sobre ela ou se sentem impedidos por praticá-la, uma vez que não são "religiosos" (?).

Essa é uma das muitas desculpas esfarrapadas que costumamos ouvir das pessoas que se recusam a começar a praticar, por isso é bom que se diga que a maioria das práticas de meditação nada têm de religiosas.


Aliás, desculpas para não praticar existem aos montes, alguma destas soa familiar?
1) não tenho tempo
2) não consigo
3) sou muito jovem ou muito velho pra isso
4) minha cabeça não sossega nunca
5) não sou uma pessoa espiritualizada o suficiente
6) não tenho um lugar adequado
7) não acredito que isso ajude
8) não tenho paciência suficiente
9) não consigo ficar quieto
10) ia começar a praticar nas minhas férias, mas não deu

Seja qual for a desculpa, é importante saber que a meditação é um dos recursos mais utilizados para a saúde cerebral, uma vez que seus efeitos são eficazes não só quanto à prevenção de doenças, mas também quanto ao retardamento do processo de envelhecimento do corpo. 

Sim, é isso mesmo: a meditação retarda o processo de envelhecimento do corpo, pois existem diversos exercícios que envolvem não só as células cerebrais, mas também as demais células do corpo, influenciando de forma contundente nosso sistema imunológico.

Tudo isso parece muito bom para ser verdade, o que pode até gerar desconfiança. De qualquer forma, se todo mundo acredita em alguma coisa, seja em Deus, seja no trabalho ou seja em si mesmo, então porque não se informar melhor sobre o assunto e depois (quem sabe) passar pelo menos a acreditar nos benefícios da meditação, isso se os fatos (ainda assim) não lhe forem suficientemente convincentes.

by Dalton Cortucci



sexta-feira, 12 de abril de 2013

A empreitada no "mundo" de cada um.

Às vezes a gente acha que o mundo está contra nós. Nosso chefe nos engana com aquela promoção que deve acontecer "em breve", nossos amigos são falsos, nosso par romântico não nos ama tanto quanto nós amamos, nossa família é mais um peso do que um prazer, enfim... às vezes tudo dá tão errado que o problema só pode ser com o mundo.


Nessas horas nos esquecemos de algo muito importante: a probabilidade das pessoas estarem premeditadamente irmanadas fazendo coisas contra nós só para atormentar a nossa vida , ela existe, mas é infinitamente pequena.

Logo, tem mais cabimento tirar os olhos do mundo, o qual julgamos que está totalmente voltado pra nós, e colocá-los no primeiro espelho que encontrarmos.


O que vemos nesse espelho? Rugas? Defeitos de nascença? Olhos que poderiam ser de uma cor mais atraente? Cabelos que não nos agradam? 

Se for só isso, definitivamente, não estamos vendo nada.




Mas insista. Continue observando.
Nosso ar é preocupado? Os olhos estão tristes? Parece que envelhecemos rapidamente? Bem, já estamos vendo alguma coisa. Vamos mais fundo.


Consegue ver os erros? Erros que nós mesmos cometemos? Consegue "ver" os pensamentos? Aqueles pensamentos teimosos sobre como as coisas e as pessoas devem ser e se comportar? Consegue "ver" aquela inflexibilidade diante das coisas que nos faz dramatizar tudo e ainda culpar aos outros? Consegue "ver" aquele pessimismo que não conseguimos transformá-lo em otimismo nem copiando o que os outros fazem?


Ok, agora sim. Agora o espelho começou a mostrar a realidade. Ele está revelando que o "mundo" que está contra nós está bem na nossa frente. Ali mesmo, olhando para o nosso rosto.


E já que agora descobrimos que não é preciso consertar o mundo todo pra que as coisas melhorem, dá pra começar a obra cujo empreiteiro somos nós mesmos.

Pois eu fico aqui imaginando o que aconteceria se todos fizessem a mesma coisa com o seu próprio "mundo".

Tenho a certeza que tudo seria mais ameno e resolveríamos as coisas de uma forma bem mais tranquila.


Diante de uma perspectiva dessas, vale a pena cuidar para que o nosso "mundo" seja auto-sustentável. E pra isso bastaria apenas realizarmos as obras diárias que nele fossem necessárias.

O resultado a gente ia ver à nossa volta e, principalmente, em frente ao nosso espelho.



by Dalton Cortucci


segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Um tal seminário sobre as "SOMBRAS"

É claro que fica mais fácil entender o que é  um seminário sobre culinária. Você nem precisa de muita informação para saber se ele lhe interessa ou para decidir se vai ou não participar. Mas um seminário sobre as nossas "SOMBRAS" soa, no mínimo, estranho. Mais parece algo místico, além de muito subjetivo para um mundo permeado pelas coisas objetivas. 

Antes de continuar, cabe aqui uma ressalva: tudo que é objetivo, absolutamente tudo, tem sua origem no SUBJETIVO. 

E não é preciso ir longe para entender, pois tudo que vemos à nossa volta nasceu de uma ideia, de um pensamento, de um desejo. Até a decisão de ir a um seminário sobre culinária nasceu assim. Em outras palavras, sem o subjetivo não existe objetivo. 



Bem, mas afinal o que é essa história de "SOMBRAS" ?
Todos sabemos que o nosso "ego" é uma falsa identidade que assumimos e por detrás dele está uma parte significativa de quem realmente somos. Esse "lugar" escondido na nossa mente podemos chamar metaforicamente de SOMBRA. Em outras palavras, nossa SOMBRA é a parte que escondemos dos outros ou reprimimos em nós mesmos, seja porque não queremos assumir essa realidade, seja porque somos inconscientes de sua existência. 

Nossa SOMBRA exerce constante influência em nossos desejos, pensamentos e atitudes. Ela é a responsável por atrairmos aquilo que não queremos e por tomarmos muitas decisões inadequadas. Nela também se origina aquele sentimento de pressão por mudanças, assim como sensações de ser "um peixe fora d'água" e de ter muito "azar".

Então o que temos de prático a fazer?
Se nossa SOMBRA é algo que não queremos assumir ou de difícil acesso, é óbvio que teremos de trazê-la para dentro da nossa consciência. Isso significa assumi-la e sobretudo compreender o que vai nela, uma vez que, na verdade, vai em nós. Portanto, reconhecer o que vai na nossa SOMBRA é acima de tudo um exercício de autoconhecimento. Esse conhecimento nos ajuda a compreender coisas que pensamos e fazemos, além de perceber as razões pelas quais tomamos decisões ou temos atitudes que não nos trazem nenhum resultado satisfatório. É como descobrir que a resposta "certa" para você é diferente daquilo que aprendeu a pensar que era o "certo".

Quando reconhecemos nossa SOMBRA, começamos a tomar decisões mais compatíveis com quem somos e conseguimos traçar planos mais verdadeiros para a nossa vida. Isso requer esforço e com a ajuda de alguma técnica pode-se alcançar resultados surpreendentemente eficazes.

Enfim, tudo que realizamos nasce no subjetivo da nossa existência. Se você der as costas à sua SOMBRA, é o mesmo que negar uma parte de si mesmo. Mas não pense que isso fica assim. Quanto mais se distanciar de sua SOMBRA mais poderosa ela se tornará e mais pressão ela exercerá sobre você até que seja notada.


Cansei de ouvir pessoas que diziam se conhecerem bem e ficarem surpresas após aprenderem a travar contato com suas SOMBRAS. E como todos nós sabemos, para termos uma vida muito melhor é preciso em primeiro lugar conhecer bem a si mesmo.


Mas não é porque você está lendo este texto que já dá para afirmar que um seminário sobre as SOMBRAS é algo "palpável". Ele continua sendo subjetivo. Só que agora você já sabe que reconhecendo o que está na sua SOMBRA, tal conhecimento produzirá reflexos objetivos na sua vida. O que torna o processo semelhante ao que as pessoas almejam quando participam de um seminário sobre culinária. 


by Dalton Cortucci


terça-feira, 11 de setembro de 2012

Na sua Sombra está a verdade.

A "sombra" é uma maneira de nos referenciarmos ao nosso lado não reconhecido da personalidade. 

O uso do termo não tem a pretensão de sugerir algo maléfico ou sinistro. A ideia básica é dar um significado real a algo que é pessoal e sobre o qual nos falta nitidez. Por essa razão, o emprego da metáfora usando uma "sombra" acaba sendo bastante sugestiva e adequada para fixarmos a ideia.

Mas se todos nós temos uma "sombra", ou seja, um lado pessoal que nos falta nitidez, então qual a vantagem de sabermos o que há nela?
Essa pergunta me foi feita por um participante de um seminário: a princípio julguei que a resposta era óbvia, mas o tempo me mostrou que a maioria das pessoas não tem ideia do que se pode obter se buscarmos "iluminar" o lado "sombrio" de nossa personalidade.

É fato que alguns já expressam alguma noção quando usam termos tais como: "meus demônios", ou "as malas que carrego", ou ainda "meu inquilino interno". Essas são pequenas percepções de que existe algo mais dentro de nós e que muitas vezes é confundido com "um outro" que não sou eu. 

A princípio essa confusão faz com que muitas pessoas recuem por temerem tocar em algo que desconhecem e que não podem prever as consequências. No entanto, muito pelo contrário, aqueles que ficam curiosos e dispostos a terem consciência de seus aspectos mais profundos, têm aí a oportunidade de sentirem-se melhor orientados, pois é isso que acontece a partir do momento em que entendem mais sobre seus sentimentos e desejos "escondidos".

Para aqueles que optam por não travar contato com sua própria sombra, até por julgarem ser mais conveniente, é importante ter em conta que a sombra se manifesta regularmente e sem aviso prévio. Como faz parte de nós, ela acaba por influenciar o nosso dia a dia e nos pressiona invariavelmente em todas as nossas decisões. Por consequência,  negar aquilo que somos simplesmente não adianta. Por outro lado, se soubermos o que somos e cuidarmos para que tenhamos o uso mais adequado desse conhecimento, isso acaba por tornar-se a chave para uma vida infinitamente melhor.

Trazer a nossa sombra à tona ou, se preferir, à luz da nossa consciência, é de fundamental importância, pois nela não só encontraremos a razão de muitos de nossos medos, mas também descobriremos muitos de nossos talentos e qualidades, os quais, pelos mais diferentes motivos, foram deixados de lado ou reprimidos. Esse fato por si só justifica a importância de conhecermos o que há em nossa sombra, pois nesse conhecimento encontram-se as pistas para promovermos as mudanças que desejamos. 

Em outras palavras, em nossa sombra reside a essência daquilo que somos e fazer as pazes com ela significa levá-la em consideração, respeitando-a como parte de nós mesmos, o que de fato ela é. 


- by Dalton Cortucci

(Um bom caminho para começar é o "ENEAGRAMA")


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sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Motivação e a eterna busca pelo prazer.

A gente vê na vitrine, gosta, compra, usa e sente-se bem. Em pouco tempo vai repetir o ciclo. Não é porque aquilo que tinha comprado antes deixou de ser bom, mas porque não lhe causa a mesma sensação de "sentir-se bem". 

E assim somos nós: seres na busca constante do "prazer", do "sentir-se bem". 

Todos sabemos que a alavanca que nos empurra nessa busca pelo prazer é o que chamamos de "motivação". Resumidamente, a motivação é o resultado do movimento provocado pelas nossas emoções.

Em outras palavras, quando estamos motivados significa que as emoções pelas quais estamos tomados são boas. Por outro lado, obviamente, quando estamos desmotivados, significa que fomos tomados por emoções ruins ou, pelo menos, não tão boas, a ponto de termos energia para mudar alguma coisa.
Bem, se funciona assim, então há uma salvação para quem se sente desmotivado: basta mudar as emoções ruins para emoções boas...é simples !!!
Simples? Claro que não é tão simples, mas, pelo menos, a gente sabe que é assim que funciona.

Na verdade todos nós conhecemos esse mecanismo de forma instintiva, pois nossa natureza exige sempre o prazer. Ou seja, sempre que nossa motivação diminui, nós demandamos um esforço quase automático para que ela volte. Essa reação usa recursos até dos mais imediatistas, tal como comprar uma roupa nova. 

Mas esse esforço, na maioria das vezes, não é suficiente para que a motivação reapareça. Além disso, todo esforço consome energia, o que gera cansaço e esse cansaço, o qual se confunde com preguiça ou desânimo, faz com que as pessoas tendam a permanecer onde estão, como se estivessem "enraizadas" na situação, seja ela profissional ou afetiva. 

Então o que fazer?
Sabemos que a chave é mudar as emoções, mas como fazer isso de forma consciente?

A resposta é difícil, mas a solução está longe de ser impossível: a saída está em variar aquilo que puder variar. Em termos práticos, variar significa mudar pensamentos e comportamentos de uma forma consciente.
Veja algumas coisas que você pode fazer para mudar pensamentos ou comportamentos que geram emoções ruins, as quais, por consequência, o deixam desmotivado:
  • Fique longe das músicas e dos lugares que fazem você lembrar dos bons e velhos tempos ou que relembrem aquela ou aquelas pessoas que saíram da sua vida, das quais tanto sente a falta. 
  • Evite assistir filmes dramáticos e tristes. 
  • Mude seus interlocutores para pessoas que não saibam tanto da sua vida, assim não correrá o risco de alguém trazer à pauta o seu problema. 
  • Tire uns dias e viaje para um lugar novo. 
  • Dê oportunidade para aquelas pessoas que estão sempre convidando você pra bater um papo. 
  • Leia notícias diferentes das que costuma ler. 
  • Não se compare a ninguém, aliás, a "grama do vizinho é sempre mais verde", lembra?
  • Quebre de vez em quando a rotina diária de alguma forma.
  • Estabeleça um objetivo que lhe traga algum prazer e dê o primeiro passo na sua direção. 
Por mais banal que alguns desses itens possam parecer, mudanças conscientes estimulam o cérebro, exigindo que ele trabalhe de uma forma diferente do "piloto automático" ao qual está submetido.

Aliás, não existe alguém que tenha saído de uma situação desmotivante sem que fizesse algo para mudá-la e isso é decisivo. Essa mudança é importante porque nossas crenças nos prendem a pensamentos e comportamentos que se repetem todo o tempo. 

Então faça uma lista do que pode mudar e cada item dela chame de objetivo, pois não existe motivação sem ter um. Em seguida, pegue um dos objetivos e dê o primeiro passo. O primeiro passo é importante porque o resultado dele já lhe trará algo diferente. Por menor que seja esse retorno, ele acenderá uma luz no fim do túnel.

E já que o assunto é motivação, assista ao vídeo sobre o assunto. Espero que goste.

by Dalton Cortucci




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terça-feira, 7 de agosto de 2012

Neurociência: Mudando um padrão indesejado.

Uma regra fundamental na Neurociência diz que "células nervosas acionadas juntas permanecem juntas". Se fizermos algo uma única vez, uma coleção de neurônios livres formará uma rede, mas quando alguma ação ocorre seguidamente as células nervosas desenvolvem uma conexão cada vez mais forte e se torna progressivamente mais fácil acionar aquela rede.

Se acionarmos repetidamente as redes neurais, os hábitos ficam cada vez mais estruturados no cérebro e se tornam difíceis de mudar. À medida que uma conexão é usada muitas vezes, ela fica mais forte e mais estabelecida. Isso pode ser uma vantagem, porque é assim que aprendemos e nos condicionamos.  Por outro lado, essa rigidez torna muito mais difícil se pretendermos mudar alguma coisa, caso esse aprendizado ou condicionamento nos traga algo indesejável.



Felizmente existe o reverso: células nervosas que não são acionadas juntas não permanecem juntas. Perdem o relacionamento de longo prazo. Toda vez que interrompemos o processo físico ou mental habitual refletido por uma rede neural, as células nervosas ou grupos de células ligados uns aos outros, começarão a desfazer seus relacionamentos. 

Analogamente, seria o mesmo que mudar de endereço afastando-se de seus vizinhos. Você se muda e promete mandar cartões postais para manter a amizade e contar o que anda fazendo. Mas com o passar do tempo passa a mandar somente no Natal e o relacionamento vai enfraquecendo. 

Esse efeito é um reflexo exato do que se passa dentro do cérebro; à medida que você pensa cada vez menos nos vizinhos, as conexões das redes neurais diminuem até não haver mais nenhuma conexão. Isso libera as células para formarem novas ligações provocando a quebra de antigos padrões.

Sendo assim, se houver alguma crença que o incomoda e/ou comportamento que desejaria mudar, mude o pensamento cada vez que a crença lhe vier à cabeça e/ou force um comportamento diferente quando se sentir impulsionado por aquele indesejado.

Um exemplo simples é aquela mania de pensar mal do outro só porque ele é melhor do que você em alguma coisa. Ou então aquele comentário descartável quando se sente tomado pela inveja. A saída é mudar sua atenção para outra coisa e fechar a boca, pois ao evitar a repetição disso quebrará o padrão e propiciará a criação de um novo e bem mais saudável.

by Dalton Cortucci


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sábado, 21 de julho de 2012

O conflito de gerações é uma oportunidade para a "Geração Y"

De acordo com a Antropologia: "uma cultura é a forma de vida de um grupo de pessoas, segundo comportamentos aprendidos e transmitidos de geração em geração por meio da língua falada e da simples imitação". 

O que hoje vivenciamos não chega a contrariar as teorias antropológicas, mas temos de admitir que a tecnologia advinda da Internet estabeleceu a mais rápida cultura que se tem registro, assim como a mais significativa geração até então registrada e hoje classificada pela Sociologia como "Geração Y".
Resumidamente, a "Geração Y" é composta pelas pessoas nascidas entre os anos de 1980 e 2000, período da eclosão arrebatadora da Internet. Os jovens desse período têm como principais características a facilidade de incorporar tecnologia em seu dia a dia, a capacidade de realizar múltiplas tarefas, a impaciência para carreiras profissionais lineares, a aversão a rotina, a preocupação com a qualidade de vida, a busca por uma rápida ascensão financeira, a defesa de causas sociais e a liberdade de criação.

Quando empregados, os profissionais da Geração Y são frequentemente caracterizados por um grande entusiasmo em estabelecer uma rede de contatos e pela facilidade de trabalhar de forma colaborativa.

Ironicamente, esse discernimento muitas vezes é confundido, a ponto de muitos os cognominarem de geração "sabe tudo". Entretanto, o que se vê no dia a dia é algo muito diferente do que sugere tal denominação: os jovens da Geração Y, além de entusiasmados e otimistas, têm um forte desejo de aprenderem para se desenvolverem como força de trabalho. De fato, nunca tivemos ao longo de nossa história tanta gente matriculada em cursos de graduação, pós-graduação, MBA, cursos técnicos e cursos avulsos. É um fenomeno exatamente contrário ao que se possa pensar acerca de uma geração "sabe-tudo".

Mas qual a origem desse tendencioso estereótipo?

Ocorre que nas empresas tradicionais muitos dos gestores forjados em gerações anteriores foram treinados de uma forma diferente. Por terem vivenciado tempos turbulentos sentem-se receosos diante de mudanças radicais, sejam elas de visão, sejam elas de comportamento. De fato, para não ser injusto, quem viveu profissionalmente as décadas de 90 e, principalmente, a de 80, gerenciar um grupo de pessoas com grande capacidade de se comunicar, além de muita confiança para tomar decisões e ainda com facilidade para interagir com parceiros no mundo todo, definitivamente, é um verdadeiro desafio.

Como diz a minha amiga Marla Bork: "O sofrimento nasce no momento em que insistimos ser uma linha reta num caminho repleto de curvas [...]". Em outras palavras, se os gestores mais experientes não se adaptarem aos novos tempos, usando para isso sensibilidade para administrar uma real situação de mudança comportamental, os resultados poderão levar essa relação com os jovens profissionais à um impasse. 


Mas como o mundo não vai parar diante de qualquer conflito de gerações, o gestor que nadar contra essa corrente se auto-condena. Por outro lado, como todos nós sabemos, em toda crise aparecem oportunidades: nessa hora elas brotam justamente para os líderes em formação dessa geração. Afinal, são eles os naturais sucessores na gestão das empresas. 

Outra oportunidade que se configura, tanto para os gestores das empresas tradicionais quanto para os jovens, é usar esse "espírito" empreendedor, também característico da Geração Y, para estabelecer alguns níveis de terceirização. Considerando que um "espírito" não se coloca na gaiola, uma boa saída para as empresas tradicionais é usufruir de toda essa energia através da terceirização, ao invés de consumi-la tentando impor regras de condicionamento a quem não se permite condicionar. Para os jovens empreendedores, o desafio de ter uma empresa não os atemoriza, pois nela estão depositados seus sonhos e objetivos, os quais, em sua maioria, não puderam presenciar concretizados por seus pais.

Enfim, o conflito de gerações entre profissionais sempre existiu e sempre existirá. E a coexistência pacífica acaba ocorrendo porque ambos os lados cedem um pouco. No entanto, o novo nunca cedeu menos que o velho, pois sabemos que o que virá sempre se sobreporá ao que está.

sábado, 14 de julho de 2012

Andando "parado" !


Quando olhamos a nossa rotina diária ninguém se vê parado, é claro. 
Ir para o trabalho, cuidar de uma casa, dos filhos, ir para a faculdade, enfim, todas essas atividades nos fazem sentir que estamos "andando".


Mas como somos relativistas, é inevitável que estejamos sempre comparando o momento presente em relação a um momento passado, e por essa razão esse monte de atividades em função do tempo indicam que estamos percorrendo algum tipo de caminho. 

No entanto, por mais que falemos sobre o que fizemos hoje em relação a ontem, são os resultados que, de fato, nos dão a sensação do quanto realmente caminhamos.

Tenho certeza que você já teve a sensação de "um fim de semana perdido", quando o resultado que esperava não foi o de se divertir ou descansar.

Já encontrei gente citando períodos da vida como "anos perdidos" ou "década perdida", quando referem-se aos passos que deixaram de dar na direção de um objetivo ou por não terem tido qualquer iniciativa de moverem-se da situação desconfortável em que se encontravam.

O fato é que estamos sempre correndo, isto é, nunca estamos parados, mas quando medimos os resultados não é raro ter a sensação de não ter ido a lugar algum. A rotina diária, por mais tempo que nos tenha consumido, simplesmente não nos levou a sair "relativamente" do lugar.

Não cabe culpa para a mesmice, mas cabe responsabilidade. Ter um objetivo não basta, é preciso ação. A responsabilidade da ação cabe a cada de um de nós e não aos outros.

Por isso, para sair da situação de "correria paralisante" que a rotina nos passa, é preciso um movimento diferente. Mesmo que esse movimento não resulte naquilo que esperávamos, certamente resultará em algo diferente do momento anterior.

Em termos práticos, quando se está diante de um quarto escuro é melhor ir direto ao interruptor e acender a luz, pois nossos pensamentos são grandes sabotadores e suficientemente criativos para nos fazerem recuar diante da escuridão.

Quantas vezes relutamos em fazer coisas e depois de feitas pensamos: "ah, se eu soubesse que seria tão simples teria feito antes."

Em outras palavras, a única forma de quebrar a sensação de estar "parado" na vida é agir. E agir de forma diferente. É a tal da "atitude". Só que tem gente que prefere reclamar a dar um passo e, nesse caso, a vida só está sendo coerente em manter o fulano andando "parado".




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